segunda-feira, 16 de junho de 2008

Flor de maio, flor de seda!

Tanta delicadeza, suavidade e beleza!
Nesse tempo que nega umidade e aposta em poeira.
A natureza se enfeita de seda.
Seda de cores suaves, singelas,
mas soberanamente belas.
Tão belas que nem a poeira resiste
aos seus encantos e
se sacode pra todo canto,
mas a flor de seda continua flor de maio,
florescendo em junho
apostando no milagre
da vida mesmo que pareça escassa,
que seja ameaçada por fumaça
A flor de seda resiste e
traz alegria mesmo que o tempo
pareça frio ou triste!

Dezesseis!!!

Há dia mais bonito
do que o dia quatro?
Não é o primeiro,
também não é o último,
não é o do meio
É apenas quatro.
E o quadrado de quatro?
Só pode ser tão bonito
quanto quatro vezes quatro.

As Filhas do Vento resistem...

Meninos são filhos do trovão,
Meninas são filhas do vento.
Essa marca de gênero,
marca lugares,
marca situações,
marca injustiças,
marca violências...
Tantas marcas são tatuagem!
No corpo que gera
novos filhos do trovão,
mais filhas do vento.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Meu ipê

Apanhei a semente e
adivinhei uma árvore cheia de flores amarelas.
Plantei-a, cuidei da germinação,
Troquei o vaso pois o crescimento o exigia.
Não mais contendo-se nos espaços
que lhe proporcionava,
plantei-a em frente a casa.
Observei seu expandir,
Outros olhos também acompanhavam
seu tronco engrossar, sua vocação
espalhar galhos, cobrir de folhas verdes.
Defenderam-na das sanhas de mãos quebradeiras.
Hoje, encorpada, folhosa,
Vestida de verde...
Aguardo seu presente de flores amarelas.
Ela resiste a meu apelo.
Eu insisto em acreditar!

domingo, 18 de maio de 2008

Saber de vida feito!

Aprendizado de vida, para a vida
se faz sob o olhar atento do pai.
Nessa paternura os caminhos ficam
mais leves...
Assim se pode entender
Deus como pai!

Festa Congado Os Ciriacos maio 08

Em festa de congado não falta dança, canto, oração e mesa farta partilhada com todos que chegam.


.

Galinha d'angola


Na mitologia afro, ela é importante na criação do mundo.
Acho-as lindas com sua roupa pintadinha!
Não podendo criar mundos, em minha casa,
coloquei-as segurando as portas.
E elas cumprem encantadoramente a função.

Balões e cabelo branco

As cãs do João diante do colorido dos balões
Prateiam a noite enfeitada ao longe com as luzes
de Contagem.
A festa é empolgação, uns cantam outros
se refastelam da abastança.

Enfim a festa!

Mais de meio século
Enfim a festa!
Nesse dia Margarida não foi pro fogão,
Não se preocupou se havia gente pra ser servido.
Curtiu bolo, balões e alegria.
Tudo era festa pra Mulher Maravilha!
A neta de seis anos que parecem dez
curtiu a mesma euforia.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Diálogo Regional

Ouvir e dizer de sonhos, desejos
que querem se tornar realidade.
A realidade de um mundo justo, igual e acolhedor
para todos.
Isso só pode ser gestado em comunidade.
Todos fazendo acontecer o que vai ser.

domingo, 11 de maio de 2008

Criação

É assim que se fazem os mundos.
Um olhar feminino e um montão de terra
à disposição!

sábado, 3 de maio de 2008

Construir prédios/castelos!

Construir prédios/castelos
É a coisa mais simples.
De embalagens de suco vazias,
Com um pouco de fantasia,
Papel, tesoura e cola...
(Tem que ter disposição.)
Pra empilhar as embalagens,
cortar janelas e portas.
Passar cola no papel,
Até criar casca na mão.
Escorrega uma janelinha,
a porta não quer parar.
Mas entretanto... insiste.
Depois de tudo no lugar...
Faltou antena da Sky.
O canudinho é a solução,
pra essa tecnologia da informação.
Tudo bem equilibrado.
Só falta o Abracadabra.
E a gente vai morar lá.
(No meu tempo de criança,
fazia casa com chaminé.
Não precisava mágica.
A casa era onde eu vivia.)



segunda-feira, 31 de março de 2008

Ladoalado!

Emprestei-lhe meus óculos
na ilusão de que pudesse me enxergar.
Quisera um mar pra criar uma cidade.
Brincara com palavras na luta vã de fazer poesia.
Sentar na pedra no meio do caminho, só pra dizer:
E agora José?
Stop!
O mundo parou na beira do mar.
Vamos lá pra ver o que será.

Vir-a-mar

Quando é que o sertão vai virar mar?
Ser tão azul de navegar o olhar.
Ser tão distante de perder o lugar.
Ser tão imenso de não se encontrar.
Ser tão perene pra nos embalar.
O sertão vai virar mar...
Em algum lugar do meu olhar.

terça-feira, 18 de março de 2008

Vazante


Cresce como enchente, Surpreendendo as margens que a limitam. Vem de repente,
Vaga-mente! E as vagas se transformam em turbilhões. Inebriantes sensações de vazio. Vazio ante a presença escassa. A solidão que ameaça, mas escapa entre os cômodos vagos de risos e canções. Risos que ecoam por todo espaço, e no telefone se escuta: Ba noite, vô! Ba noite, vó! Ba noite, tio!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Carícias em gotas!


Chuva suave como carícia,
Escorre pelas plantas sua ternura.
Abraça a terra em promessas de futuro.
A musicalidade desse momento
embala sonhos,
acorda recordações,
fortalece a vida que contempla esse dia chuvoso!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Sempre uma reflexão!



Meu tempo é agora!
Sem demora.
Deslumbrada com esse momento.
Capaz de convivências, histórias e solidão!
Este presente que eu tenho de vida.
Torna-me presença neste mundão
de Deus!

Abrigo de sonhos e realidades!


Cada pedra, cada tijolo está fixado por um sonho.
Cresceu com nosso crescimento.
Abriga sonhos e realidades.
Acolheu e acolhe os que chegam,
trazendo amizade, estendendo os braços.
Nasceu em tempos de cometa Halley.
Expandiu com as lutas de quem não tinha moradia.
E se alegrou na sua conquista.
Escutou sons musicais, de risos e choros.
Permitiu mais vida e alegrias aos que nela vivem...
Era pequena para tantas individualidades.
Tornou-se grande em tempos que cada um
busca seu caminho!

É chegado um tempo de dizer:
Cumpriu o seu destino!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Colheita de Tamarindo!



A árvore me presenteou com frutos!
Fartura de sabor agridoce
que acorda memórias no paladar,
provocando reações salivantes.

Nestes dias observei as promessas floridas
de novos frutos.
A espera se faz gustativa,
acompanhando passo a passo
a transformação dos desejos da terra
em declarações frutíferas de amor.

domingo, 18 de novembro de 2007

Como quem copia


Copiei a imagem de um calendário.
Um detalhe aqui,
um traço ali resistiu,
impôs a sua vontade.
Minha mãe ao vê-lo, lacrimejou saudades.
Viu o retrato de meu avô!
Esse olhar me acompanha
desde então.

Presentes!

Presentes!
Presente no meu aniversário!

O que poetizam... (pra mim e de mim)

Poema

Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora, leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.

O dia vai morrer aberto em mim.

(Manoel de Barros)



E X A U S T O


Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o profundo sono das espécies,
a graça de um estado.
Semente
Muito mais que raízes.

(Adélia Prado)

Poema de Mario Quintana em A cor do invisivel

Há três coisas cujo gosto não sacia
o pão, á água e o doce nome de Maria.


One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.

(Elizabeth Bishop)

Die Liebenden
Friedrich Hölderlin

Trennen wollten wir uns? wähnten es gut und klug?
Da wirs taten, warum schröckte, wie Mord, die Tat?
Ach! wir kennen uns wenig,
Denn es waltet ein Gott in uns.


Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"