Quem sou eu...

Minha foto

Nasci no interior. Lá cresci e estudei até o Ensino Médio. Casei-me e mudei para a capital, onde estudei mais, tive filhos e assumi trabalhar como professora. E agora me aventuro a ser escritora. Escrevi "Mãe Dinha", Mazza Editora.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Reflexão pelo dia dos/as Professore/as..

Enquanto professora promovi meus/minhas alunos/as a serem sujeitos da História sem dela se tornarem reféns?

Eu lecionei a todos eles

Tenho ensinado, no ginásio, por dez anos. Durante esse tempo, eu lecionei, entre outros, a um assassino, a um evangelista, a um pugilista, a um ladrão e a um imbecil.
O assassino era um menino que sentava no lugar da frente e me olhava com seus olhos azuis; o evangelista era o mais popular da escola, era o líder dos jogos entre os mais velhos; o pugilista ficava parado perto da janela e, de vez em quando, soltava uma gargalhada abafada que até fazia tremer os gerâneos; o ladrão era um coração alegre, diria libertino, um pequenito animal de olhar macio, dócil, procurando as sombras.
O assassino espera, hoje, a morte numa penitenciária do Estado; o evangelista está enterrado, há um ano, no cemitério da Vila; o pugilista perdeu um olho numa briga, em Hong Kong; o ladrão, na ponta dos pés, pode ver, da prisão, as janelas do meu quarto; o imbecil, de olhar macio, bate com a cabeça na parede formada de uma cela, no Asilo Municipal.
Todos eles, um dia, sentaram em minha aula; sentaram e olharam para mim, gravemente, desde as suas carteiras escuras e usadas.
Eu devo ter sido uma grande ajuda para esses alunos.
Eu lhes ensinei o esquema da rima dos sonetos elizabetanos e como colocar em diagrama uma sentença completa...

Texto de M. John White (traduzido e adaptado por Maria Aldina Silveira Furtado).

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

domingo, 3 de outubro de 2010

Minas nas Eleições 2010

Arrumamos direitinho um ninho de tucanos em Minas Gerais.
Oh, Minas Gerais! Quem te conhece nem acredita
Que um dia foi berço de sonhos de liberdade.

Presentes!

Presentes!
Presente no meu aniversário!

O que poetizam... (pra mim e de mim)

Poema

Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora, leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.

O dia vai morrer aberto em mim.

(Manoel de Barros)



E X A U S T O


Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o profundo sono das espécies,
a graça de um estado.
Semente
Muito mais que raízes.

(Adélia Prado)

Poema de Mario Quintana em A cor do invisivel

Há três coisas cujo gosto não sacia
o pão, á água e o doce nome de Maria.


One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.

(Elizabeth Bishop)

Die Liebenden
Friedrich Hölderlin

Trennen wollten wir uns? wähnten es gut und klug?
Da wirs taten, warum schröckte, wie Mord, die Tat?
Ach! wir kennen uns wenig,
Denn es waltet ein Gott in uns.


Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"