Quem sou eu...

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Nasci no interior. Lá cresci e estudei até o Ensino Médio. Casei-me e mudei para a capital, onde estudei mais, tive filhos e assumi trabalhar como professora. E agora me aventuro a ser escritora. Escrevi "Mãe Dinha", Mazza Editora.

sábado, 5 de julho de 2008

Meu pai!

Vivi a ternura da infância
em cima de seus ombros,
mesmo que ameaças não houvesse pra me empoleirar sobre eles.
Conheci o mundo que me cercava com a mão no bolso de seu paletó,
sentindo o isqueiro e o canivete guardados ali.
Viajei, em sua companhia, de trem de ferro pra capital de Minas e pro Rio do Cristo Redentor.
Presenciei o cuidado e a indignação irada,
Aprendi a gostar da cor azul e
a esperar a magia que tornava fumo de rolo
em saborosas balas.
Herdei sua sisudez, seu humor irônico.
Abominei seu ciúmes irracionais e
a sua estupidez.
Ainda assim,
Ensinou-me a escrever cartas...
Deixou-me a paixão por canetas tinteiro.

Um comentário:

DIARIOS IONAH disse...

amei!
com meu pai a relaçao foi mais matematica.
desenhar o dia inteiro
aquelas plantas topograficas no auge da minha adolscencia rebelde,,,
tivemos muitas brigas homericas por causa de politica.
ele um destruidor natural das arvores e eu uma denfensora pra la de MARRAKESH!

Presentes!

Presentes!
Presente no meu aniversário!

O que poetizam... (pra mim e de mim)

Poema

Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora, leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.

O dia vai morrer aberto em mim.

(Manoel de Barros)



E X A U S T O


Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o profundo sono das espécies,
a graça de um estado.
Semente
Muito mais que raízes.

(Adélia Prado)

Poema de Mario Quintana em A cor do invisivel

Há três coisas cujo gosto não sacia
o pão, á água e o doce nome de Maria.


One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.

(Elizabeth Bishop)

Die Liebenden
Friedrich Hölderlin

Trennen wollten wir uns? wähnten es gut und klug?
Da wirs taten, warum schröckte, wie Mord, die Tat?
Ach! wir kennen uns wenig,
Denn es waltet ein Gott in uns.


Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"