Quem sou eu...

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Nasci no interior. Lá cresci e estudei até o Ensino Médio. Casei-me e mudei para a capital, onde estudei mais, tive filhos e assumi trabalhar como professora. E agora me aventuro a ser escritora. Escrevi "Mãe Dinha", Mazza Editora.

domingo, 27 de maio de 2012


MEU DEUS, EU NÃO CREIO...
                               (Michel Quoist)

Meu Deus, eu não creio
Que faças cair a chuva ou brilhar o sol,
por escolha,
por pedidos,
para que cresça o trigo do agricultor cristão,
ou tenha sucesso a quermesse do senhor padre.
Que tu concedas trabalho ao desempregado bem formado
e deixes os outros procurar
e nunca encontrar,
Que tu protejas do acidente
a criança cuja mãe rezou
e deixes morrer o garoto
que não tem mãe para implorar ao céu,
Que tu mesmo dês alimentos aos homens,
quando eles o pedem,
e que os deixes morrer de fome,
se cessarem de o implorar.
Meu Deus, eu não creio
Que tu nos conduzas para onde queres
e que só nos reste deixar-nos guiar,
Que tu nos mandes determinada provação
e que só nos reste aceitá-la,
Que tu nos concedas sucesso
E que só nos reste agradecer-te,
Que, quando assim o decides tu chames a ti
aquele a quem amamos
e que só nos reste a resignação.
Não, meu Deus, eu não creio
Que sejas ditador
que possui todos os poderes
e impões a tua vontade
para o bem do teu povo.
Que nós sejamos marionetes,
das quais puxas os fios
à tua maneira
E que nos faças atores de uma peça misteriosa,
de cuja representação estabeleceste,
desde o início, os mais ínfimos pormenores.
Não, eu não creio,
já não creio,
Pois agora sei, meu Deus,
que tu não o queres
e não o podes
Porque tu és AMOR
Porque tu és PAI
E nós somos os teus filhos.
Meu Deus, perdão,
Por durante tanto tempo termos desfigurado teu adorável Rosto
Críamos ser preciso,
para te conhecer e te compreender,
imaginar-te revestido ao infinito
do poder e da força,
com que sonhamos à maneira humana.
Usávamos as palavras certas
para pensar em ti e falar de ti,
mas em nossos corações fechados, essas palavras se tornaram armadilhas,
E nós traduzimos:
onipotência,
vontade,
mandamento,
obediência,
julgamento…
para nossa linguagem de homens orgulhosos
ansiosos por dominar nossos irmãos.
Atribuímos-te, então,
punições,
sofrimentos e mortes,
ao passo que tu quiseste para nós
o perdão,
a alegria e a vida.
Ó meu Deus, sim, perdão,
Porque não ousamos crer que, por amor,
desde sempre nos quiseste LIVRES.
Não apenas livres para dizer sim ou não
ao que tinhas de antemão decidido para nós,
mas livres para refletir,
escolher,
agir,
a cada instante da nossa vida.
Não ousamos crer
que de tal forma quiseste essa liberdade
Que arriscaste o pecado,
o mal,
o sofrimento,
frutas podres da nossa liberdade desgarrada,
horrível paixão do teu amor escarnecido,
Que arriscaste assim perder,
Aos olhos dos filhos teus,
a tua auréola de bondade infinita
e a glória da tua onipotência.
Não ousamos, enfim, compreender
Que, quando a nossos olhos quiseste definitivamente te revelar,
Viste sobre esta terra,
pequeno,
fraco,
Nu.
E que morreste preso na cruz,
abandonado,
impotente,
Nu.
Para dizeres ao mundo que o teu único poder
É o Poder infinito do Amor,
Amor que nos liberta,
Para que nós possamos amar.
Ó meu Deus, sei agora que tu podes tudo
… menos tirar-nos a liberdade!
Obrigado, meu Deus, por esta bela e assustadora liberdade,
oferta suprema do teu amor infinito.
Nós somos livres!
Livres!
Livres para conquistar, pouco a pouco, a natureza,
para a colocar
ao serviço dos irmãos,
Ou livres para a des-naturar,
explorando a nosso bel-prazer,
Livres para defender e desenvolver a vida,
para combater todos os sofrimentos
e todas as doenças,
Ou livres para desperdiçar inteligência, energia, dinheiro,
em fabricar armas
e nos matarmos uns aos outros.
Livres para te dar filhos ou de os recusar,
Para nos organizar em partilhar nossas riquezas,
Ou deixar milhares de homens
morrer de fome sobre a terra fértil.
Livres para amar
Ou livres para odiar.
Livres para te seguir
Ou te recusar.
Nós somos livres…
Mas amados INFINITAMENTE.
Por isso, meu Deus, eu creio
Que, porque tu nos amas e és nosso Pai,
Desde sempre nos transmitistes uma felicidade eterna,
que incessantemente nos propões
mas nunca nos impões.
Eu creio que o teu Espírito de amor,
no coração da nossa vida,
nos segreda fielmente, cada dia,
o desejo de teu Pai.
Eu creio que, no meio do imenso emaranhado
das liberdades humanas,
Os acontecimentos que nos atingem,
Os que escolhemos,
Sejam bons ou maus,
Fonte de alegrias ou de cruéis sofrimentos,
Podem, todos eles,
Graças ao teu Espírito que nos acompanha
Graças a ti que nos amas em teu Filho
Graças a nossa liberdade que se abre a teu AMOR
Tornar-se, por nós e para nós,
Sempre providenciais.
Ó meu grande Deus amante,
Diante de mim tão humilde, tão discreto,
que eu só poderei alcançar e compreender
se me tornar criança,
Faz-me crer, com todas as minhas forças,
Em tua única Onipotência:
A Onipotência do teu AMOR.
Poderei, então, um dia, com meus irmãos reunidos,
Orgulhoso por ter vivido minha vocação de homem livre,
Transbordando de felicidade,
Ouvir-te dizer:
“Vá, meu filho, a sua fé o salvou”.
(Michel Quoist, in Novos Poemas para Rezar).

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Presente no meu aniversário!

O que poetizam... (pra mim e de mim)

Poema

Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora, leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.

O dia vai morrer aberto em mim.

(Manoel de Barros)



E X A U S T O


Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o profundo sono das espécies,
a graça de um estado.
Semente
Muito mais que raízes.

(Adélia Prado)

Poema de Mario Quintana em A cor do invisivel

Há três coisas cujo gosto não sacia
o pão, á água e o doce nome de Maria.


One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.

(Elizabeth Bishop)

Die Liebenden
Friedrich Hölderlin

Trennen wollten wir uns? wähnten es gut und klug?
Da wirs taten, warum schröckte, wie Mord, die Tat?
Ach! wir kennen uns wenig,
Denn es waltet ein Gott in uns.


Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"