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Nasci no interior. Lá cresci e estudei até o Ensino Médio. Casei-me e mudei para a capital, onde estudei mais, tive filhos e assumi trabalhar como professora. E agora me aventuro a ser escritora. Escrevi "Mãe Dinha", Mazza Editora.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O  Pássaro e a Flor


Surpreendeu-me ver aquela flor solitária ali.
São as cores vivas das pétalas sedosas que a gente ganha sanha de querer ter.
É preciso ter uma flor nascendo, crescendo na aridez do coração para evitar a  tentação de sair por aí podando sonhos.
A transparência do orvalho (oculta) a vida secreta da flor.
Por isso a flor tem cálice...
O colo – cálice da flor acolhe o orvalho num longo aconchego.
E ele vira segredo dentro da flor.

Liberdade de pássaro é ir e vir, nunca ficar.
Os olhos do pássaro perderam-se naquele mistério.
Presenteou-o um perfume embriagador.
(A brisa mensageira levou-o.)
Bateu descompassado, ficou coração desajuizado no compasso do coração da flor.
Sentiu a alquimia...

Flutuavam os olhos alados intensidade e cor.
Não sei se foi pra celebrar a harmonia das diferenças...
...  que os dois se aproximaram
cada um adivinhando o desejo que o outro escondia.
E o pássaro beijou a flor.

E a história se repete no beijo que o beija-flor dá em cada flor.


Autora: Maria do Carmo Barbosa Galdino

Madu Galdino

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O que poetizam... (pra mim e de mim)

Poema

Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora, leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.

O dia vai morrer aberto em mim.

(Manoel de Barros)



E X A U S T O


Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o profundo sono das espécies,
a graça de um estado.
Semente
Muito mais que raízes.

(Adélia Prado)

Poema de Mario Quintana em A cor do invisivel

Há três coisas cujo gosto não sacia
o pão, á água e o doce nome de Maria.


One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.

(Elizabeth Bishop)

Die Liebenden
Friedrich Hölderlin

Trennen wollten wir uns? wähnten es gut und klug?
Da wirs taten, warum schröckte, wie Mord, die Tat?
Ach! wir kennen uns wenig,
Denn es waltet ein Gott in uns.


Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"