quarta-feira, 13 de junho de 2012

domingo, 27 de maio de 2012

Meu Deus, eu não creio...


MEU DEUS, EU NÃO CREIO...
                               (Michel Quoist)

Meu Deus, eu não creio
Que faças cair a chuva ou brilhar o sol,
por escolha,
por pedidos,
para que cresça o trigo do agricultor cristão,
ou tenha sucesso a quermesse do senhor padre.
Que tu concedas trabalho ao desempregado bem formado
e deixes os outros procurar
e nunca encontrar,
Que tu protejas do acidente
a criança cuja mãe rezou
e deixes morrer o garoto
que não tem mãe para implorar ao céu,
Que tu mesmo dês alimentos aos homens,
quando eles o pedem,
e que os deixes morrer de fome,
se cessarem de o implorar.
Meu Deus, eu não creio
Que tu nos conduzas para onde queres
e que só nos reste deixar-nos guiar,
Que tu nos mandes determinada provação
e que só nos reste aceitá-la,
Que tu nos concedas sucesso
E que só nos reste agradecer-te,
Que, quando assim o decides tu chames a ti
aquele a quem amamos
e que só nos reste a resignação.
Não, meu Deus, eu não creio
Que sejas ditador
que possui todos os poderes
e impões a tua vontade
para o bem do teu povo.
Que nós sejamos marionetes,
das quais puxas os fios
à tua maneira
E que nos faças atores de uma peça misteriosa,
de cuja representação estabeleceste,
desde o início, os mais ínfimos pormenores.
Não, eu não creio,
já não creio,
Pois agora sei, meu Deus,
que tu não o queres
e não o podes
Porque tu és AMOR
Porque tu és PAI
E nós somos os teus filhos.
Meu Deus, perdão,
Por durante tanto tempo termos desfigurado teu adorável Rosto
Críamos ser preciso,
para te conhecer e te compreender,
imaginar-te revestido ao infinito
do poder e da força,
com que sonhamos à maneira humana.
Usávamos as palavras certas
para pensar em ti e falar de ti,
mas em nossos corações fechados, essas palavras se tornaram armadilhas,
E nós traduzimos:
onipotência,
vontade,
mandamento,
obediência,
julgamento…
para nossa linguagem de homens orgulhosos
ansiosos por dominar nossos irmãos.
Atribuímos-te, então,
punições,
sofrimentos e mortes,
ao passo que tu quiseste para nós
o perdão,
a alegria e a vida.
Ó meu Deus, sim, perdão,
Porque não ousamos crer que, por amor,
desde sempre nos quiseste LIVRES.
Não apenas livres para dizer sim ou não
ao que tinhas de antemão decidido para nós,
mas livres para refletir,
escolher,
agir,
a cada instante da nossa vida.
Não ousamos crer
que de tal forma quiseste essa liberdade
Que arriscaste o pecado,
o mal,
o sofrimento,
frutas podres da nossa liberdade desgarrada,
horrível paixão do teu amor escarnecido,
Que arriscaste assim perder,
Aos olhos dos filhos teus,
a tua auréola de bondade infinita
e a glória da tua onipotência.
Não ousamos, enfim, compreender
Que, quando a nossos olhos quiseste definitivamente te revelar,
Viste sobre esta terra,
pequeno,
fraco,
Nu.
E que morreste preso na cruz,
abandonado,
impotente,
Nu.
Para dizeres ao mundo que o teu único poder
É o Poder infinito do Amor,
Amor que nos liberta,
Para que nós possamos amar.
Ó meu Deus, sei agora que tu podes tudo
… menos tirar-nos a liberdade!
Obrigado, meu Deus, por esta bela e assustadora liberdade,
oferta suprema do teu amor infinito.
Nós somos livres!
Livres!
Livres para conquistar, pouco a pouco, a natureza,
para a colocar
ao serviço dos irmãos,
Ou livres para a des-naturar,
explorando a nosso bel-prazer,
Livres para defender e desenvolver a vida,
para combater todos os sofrimentos
e todas as doenças,
Ou livres para desperdiçar inteligência, energia, dinheiro,
em fabricar armas
e nos matarmos uns aos outros.
Livres para te dar filhos ou de os recusar,
Para nos organizar em partilhar nossas riquezas,
Ou deixar milhares de homens
morrer de fome sobre a terra fértil.
Livres para amar
Ou livres para odiar.
Livres para te seguir
Ou te recusar.
Nós somos livres…
Mas amados INFINITAMENTE.
Por isso, meu Deus, eu creio
Que, porque tu nos amas e és nosso Pai,
Desde sempre nos transmitistes uma felicidade eterna,
que incessantemente nos propões
mas nunca nos impões.
Eu creio que o teu Espírito de amor,
no coração da nossa vida,
nos segreda fielmente, cada dia,
o desejo de teu Pai.
Eu creio que, no meio do imenso emaranhado
das liberdades humanas,
Os acontecimentos que nos atingem,
Os que escolhemos,
Sejam bons ou maus,
Fonte de alegrias ou de cruéis sofrimentos,
Podem, todos eles,
Graças ao teu Espírito que nos acompanha
Graças a ti que nos amas em teu Filho
Graças a nossa liberdade que se abre a teu AMOR
Tornar-se, por nós e para nós,
Sempre providenciais.
Ó meu grande Deus amante,
Diante de mim tão humilde, tão discreto,
que eu só poderei alcançar e compreender
se me tornar criança,
Faz-me crer, com todas as minhas forças,
Em tua única Onipotência:
A Onipotência do teu AMOR.
Poderei, então, um dia, com meus irmãos reunidos,
Orgulhoso por ter vivido minha vocação de homem livre,
Transbordando de felicidade,
Ouvir-te dizer:
“Vá, meu filho, a sua fé o salvou”.
(Michel Quoist, in Novos Poemas para Rezar).

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Um pé na África

Quem disse que tenho um pé na Senzala?
Eu tenho é um pé na África!



Foto depois de assistir Galanga, Chico Rei!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

domingo, 18 de dezembro de 2011

A espera do ano virar...

Esperando o Natal chegar,
o ano virar outro ano,
virar dias melhores,
virar esperança,
virar realizações,
virar boas festas...


Muito espero que o ano vire
certeza de amizades, 
alegrias repartidas,
sonhos realizados,
vida que chega,
ternura,
aconchego...
Um mundo melhor pra todos/as!

domingo, 2 de outubro de 2011

Estou inquieta

Escrevo
por que insisto.
Não sou poeta,
Estou inquieta
com palavras seguindo em fileira
na minha mente.
Mente
que(m) assim consente.


Escrevo
pra fixar o instante
que me faz poeta.
Desperta-me
na incerta poesia 
que é viver.



sábado, 20 de agosto de 2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Enigma





Incerta é 
a pena
que me escreve.

Em curvilínea 
caligrafia!

Desperta-me,
Despoeta-me!

Em prosa e verso
Manuscritas linhas
Que desfiam,
Desafiam:

Decifra-me ou devoro-te!



























segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sabedoria dos que vivem mais!

 "Para celebrar o envelhecer, uma vez eu escrevi 45 lições que a vida me
ensinou. É a coluna mais requisitada que eu já escrevi.

1. A vida não é justa como gostaríamos, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.
3. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer, mas o fruto dele vai fazer a diferença. Portanto, trabalhe com amor e faça o que gosta. Mantenha contato com seus amigos e
seus pais, pois eles, com certeza, cuidarão de você.
5. Pague suas contas em dia.
6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.
7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.
8. Confie em Deus, Ele sempre sabe o que é melhor para você.
9. Partilhe seus bens, dons e talentos, essa é a melhor loteria.
10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão.
11. Sele a paz com seu passado, para que ele não estrague seu presente.
12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se
trata a jornada deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar
nele.
15 Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca
pisca.
16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.
18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só
depende de você e mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite "não"
como resposta.
21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use uma roupa elegante. Não
guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Se prepare bastante; depois, se deixe levar pela maré...
23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você.
26. Encare cada "chamado" desastre com essas palavras: Em cinco anos, vai
importar?
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todos.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.
31. Indepedentemente de a situação ser boa ou ruim, irá mudar.
32. Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva...
33. Acredite em milagres.
34. Deus te ama por causa de quem Ele é, não pelo que vc fez ou deixou de
fazer.
35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.
36. Envelhecer é melhor do que morrer jovem.
37. Seus filhos só têm uma infância.
38. Tudo o que realmente importa, no final, é que você amou.
39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os
lugares.
40. Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os
de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor está por vir.
43. Não importa como vc se sinta, levante, se vista e apareça.
44. Produza.
45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente "
ESCRITO POR REGINA BRETT

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Cresceu


Viagem!
Imagens, possibilidades.
Constatações de reais imaginárias figuras.
Olhar apenas não basta,
É preciso inteirar-se do suscitado.
Ver e vivenciar.
Escher vive em sua obra.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Dia de Mariana















Nasceu Mariana!

Chegou na segunda-feira como a bisa, Eurídice,
Que dizia ter nascido para a lida,
Pois a segunda-feira era dia de tropeiros.
Eurídice também dizia que era de Reis
(De 6 de janeiro).
Tinha um pé no serviço,
E outro na realeza.
Nasceu Mariana!
Numa segunda-feira.
Como o pai dela, em tempos de lua cheia.
Mariana veio com a lua minguante.
Nossa menina chega no século XXI como o primo.
Traz consigo esperanças, utopias.
Tão pequena já provoca alegrias.
Enriquece a família com sua menina presença.
Angaria afeto dos amigos e amigas
Que acompanham nossa jornada neste mundo.
Mariana traz um clima de Mar...
e no coraçãozim, compaixão que o nome Ana
anuncia.

Reparto com vocês essa vida que chega,
Pra ela a herança de um mundo justo, humano...
Cheio de afroternura.

Presentes!

Presentes!
Presente no meu aniversário!

O que poetizam... (pra mim e de mim)

Poema

Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora, leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.

O dia vai morrer aberto em mim.

(Manoel de Barros)



E X A U S T O


Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o profundo sono das espécies,
a graça de um estado.
Semente
Muito mais que raízes.

(Adélia Prado)

Poema de Mario Quintana em A cor do invisivel

Há três coisas cujo gosto não sacia
o pão, á água e o doce nome de Maria.


One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.

(Elizabeth Bishop)

Die Liebenden
Friedrich Hölderlin

Trennen wollten wir uns? wähnten es gut und klug?
Da wirs taten, warum schröckte, wie Mord, die Tat?
Ach! wir kennen uns wenig,
Denn es waltet ein Gott in uns.


Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"